sexta-feira, 16 de novembro de 2012

"Catada" de perna volta a atormentar Brasil, que sofre com golpe ilegal no judô e perde chance de ouro


A seleção brasileira voltou a conviver no Mundial de judô por equipes, no final de semana, com um incômodo que já tirara as chances de medalha de uma atleta nos Jogos Olímpicos de Londres e que rendeu polêmica: a conhecida “catada” de perna.
Na Inglaterra, a brasileira Rafaela Silva foi desclassificada pelo golpe e perdeu a chance de disputar o bronze na repescagem depois de ser desqualificada contra a húngara Hedvig Karakas, por golpe ilegal.

Naquela oportunidade, a arbitragem chegou a marcar um waza-ari para Rafaela no começo da luta, mas desclassificou Silva depois, por meio de um VT, por ela ter atacado a perna direita da adversária antes do desequilíbrio.

Rafaela chorou muito após a luta e chegou a se irritar por ser acusada por falta de “jogo sujo”. O golpe foi ilegal porque Rafaela começou seu ataque contra a húngara direto pela perna, o que foi proibido há três anos pela Federação Internacional de Judô. 
No último sábado, Rafaela chegou a fazer movimentos no mínimo semelhantes, mas nada foi marcado pela arbitragem.

Já no domingo o Brasil sofreu com a “catada de perna”.  Leandro Cunha foi desclassificado quando vencia sua luta. O mesmo aconteceu dois combates depois, quando Victor Penalber também vencia duelo e foi desclassificado.

O Brasil perdeu por 3 a 2 para a Rússia, sendo que dois dois combates vencidos pelo rival foram por esta desqualificação no momento em que os lutadores brasileiros venciam; situação semelhante vivenciada por Rafaela.

"Há três anos atrás essa regra não existia, e a catada de perna era liberada. Eu sempre catava muita perna. O reflexo às vezes engana a gente. Acontece, é um erro. Você só pode pegar em sequência. Não pode pegar direto na perna”, falou o primeiro.

“Está ainda mal interpretada [a regra]. Às vezes você precisa executar para direcionar o golpe. O adversário estava nas minhas costas. Mas temos que entender direito essa regra para não atrapalhar e prejudicar futuramente a gente em outros campeonatos”, falou Cunha.

Agarrar as pernas de um oponente no judô só é válido em três circunstâncias: quando um judoca tenta o contra-ataque, como sequência ou complemento de um golpe ou quando um atleta está sendo agarrado por cima, do lado oposto da perna em que pode agarrar.

Penalber e Cunha lamentaram que as derrotas tenham sido por punição, o que poderia colocar o Brasil na final.  “Foi uma pena, poderíamos ter passado [pela Rússia]. O Leandro estava ganhando por wasari, mas reverteram para a punição. Eu estava ganhando e peguei na perna faltando um minuto. Qualquer uma dessas lutas nos daria a vitória [contra a Rússia]”, falou Penalber.
“Eu até coloquei no meu Twitter, perdemos para nós mesmos.  Nós erramos, o erro foi nosso. Não foi a adversário que acertou. Estávamos melhores nas duas lutas e éramos pra estar nessa final”, falou o coordenador técnico da equipe, Ney Wilson.
O técnico do time masculino, Luiz Shinohara, afirmou que o golpe sai no impulso, mas que precisa ter um basta. “O pessoal vinha fazendo muito essa catada de perna, e os que faziam [sempre], na hora do sufoco, de repente sai. Mas a tendência é acabar catação de perna. E os nossos todos têm que parar com isso.”

Como alento, a vitória que rendeu a medalha de bronze no masculino veio de uma catada ilegal de atleta francês sobre Rafael Silva, que rendeu os 3 a 2 para o Brasil.

Leandro Cunha em derrota para russo por desclassificação ao agarrar as pernas de rival

29/10/2012

Maior polo de medalhas do Brasil, judô tem relação fria com MMA e usa lado educacional em "concorrência"

Um é o esporte que mais tem criado ídolos nacionais paralelamente ao futebol e ganha cada vez mais espaço entre os fãs. O outro vem em crescente nas últimas décadas e é o maior responsável por medalhas brasileiras na história dos Jogos Olímpicos. Mas MMA e judô ainda tem uma relação fria e distante.

O esporte nascido no Japão já rendeu 19 medalhas olímpicas ao Brasil; maior número entre todas modalidades. É a arte marcial mais tradicional e praticada na base. Mas se vê longe e com pouco a acrescentar para um esporte mais completo, em ascensão e que não tem quase nenhum de seus atletas oriundos do judô.

Sarah Menezes sorri ao exibir a medalha de ouro em Londres; ela não gosta de MMA

Faixa roxa de jiu-jitsu, atacante do São Caetano quer o MMA e diz que no futebol falta "respeito pelo esporte"


Enquanto aguardava a partida contra o Vitória, na última sexta-feira, em Salvador, o atacante do São Caetano Leandrão decidiu fazer uma tietagem aos atletas brasileiros do judô que estavam no mesmo hotel na capital baiana.
A delegação treinava para o Mundial por equipes, que foi realizado em Salvador no sábado e domingo. Leandrão era o único dos atletas do time do ABC que ficou o tempo todo ali, interessado. Tirava várias fotos e postava nas redes sociais. Acompanhava atento e com olhar fixo a cada movimento.

Mas o interesse tinha explicação: ele é praticante amador de MMA e pensa até em se tornar um profissional da luta depois que encerrar a carreira. O ex-jogador de Botafogo, Internacional Cruzeiro e Ponte Preta, entre outros, está com 29 anos e pratica jiu-jitsu há 12 anos. É faixa roxa.

“Acordei cedo, tomei um café e já vim aqui acompanhar os treinos. Estou acompanhando a equipe brasileira. Adoro judô. Na academia que treino jiu-jitsu fazemos alguns treinos de judô, porque ajuda nas quedas. Agora estou fazendo fotos e mandando pro pessoal da academia”, falou.

“Não posso me federar pra disputar campeonato [de MMA e jiu-jitsu] por causa do futebol, mas tenho esse expectativa de participar de alguns torneios [de MMA] quando parar, até porque vou participar como veterano. Treino bastante wrestling, agora estou voltando a treinar. Treinei karatê. Agora treino MMA, com muay thai e jiu jitsu", falou.

Leandrão disse, no entanto, que disputa lutas amadoras de MMA nas academias. Ele treina na academia Brazilians Top Teams e afirmou que até teria um combate amador marcado para o último sábado, mas que lesionou o braço.

“Penso, penso sim em lutar MMA [profissionalmente no futuro]. Já fiz algumas lutas amadoras dentro de academia. Tinha uma luta minha amanhã, mas machuquei a mão treinando queda. Mas algumas lutas amadoras e internas eu pratico”, contou.

O atacante afirmou, no entanto, que essa foi a única lesão que teve por praticar o MMA. E que todos os técnicos com quem trabalhou sabem de sua prática paralela.
“A primeira coisa que eu faço é dizer que pratico. Mas pratico com cuidado, quando vou lutar eu peço pra usar proteção, caneleira, proteção de tórax e capacete. Eu me cuido muito por causa do futebol”, falou.

“Nunca, nunca [teve lesão]. A única mais grave foi essa da mão. Nunca tive uma lesão mais grave”, contou.

Leandrão ressaltou algumas das características do jiu-jitsu que utiliza no futebol e diz que no esporte que pratica profissionalmente ainda não existe o respeito que há nas artes marciais.

"Sempre me ajudou, é importante fazer [jiu-jitsu], ajuda na minha concentração, paciência e perseverança. Jogador de futebol não trabalha isso que se trabalha na luta, o respeito pelo esporte. O que aprendi na luta me ajudou bastante."Leandrão, atacante do São Caetano que pratica MMA